Reabilitação Urbana: "Compre agora pague depois"

Quarta-feira, 14 de Novembro de 2012

Câmara de Lisboa assina carta de intenções com a banca para facilitar reabilitação urbana.


A Câmara de Lisboa assinou no dia 5 de Novembro uma carta de intenções com bancos para facilitar o acesso a financiamentos para reabilitar, para já, um conjunto de 60 edifícios na capital, no âmbito do programa Reabilita Primeiro, Paga Depois.

Na primeira fase deste programa, que arrancou hoje, a Câmara de Lisboa disponibiliza 60 edifícios devolutos, já com obras de reabilitação urbana definidas, atrasando "o momento do pagamento do preço para após a reabilitação, quando o edifício começar a ser rentabilizado por via do arrendamento ou da revenda", explicou hoje o presidente da autarquia, António Costa.

"Este diferimento significa reduzir o capital social necessário para a aquisição e para a reabilitação do edifício", afirmou o autarca socialista, acrescentando que, por isso, a carta de intenções assinada hoje com a banca é "absolutamente essencial" para que possa "haver acesso ao crédito para a realização das obras".

António Costa ressalvou que as "condições ao crédito não estão definidas" na carta de intenções, que é apenas um "protocolo de intenções aberto ao conjunto de bancos a operar ao mercado, que tratarão com os clientes, caso a caso, relativamente a cada uma das obras e a cada um dos clientes, as condições de concessão de empréstimo".

A vereadora da Habitação, Helena Roseta, salientou a importância de que as condições de concessão sejam "idealizadas em conjunto para que os clientes saibam as condições que o mercado oferece e para que a câmara possa dizer o que precisa".

Questionado pelos jornalistas à margem da assinatura da carta, o presidente da Associação Portuguesa de Bancos, Fernando Faria de Oliveira, adiantou que à banca "compete analisar, em função dos potenciais compradores, a sua capacidade financeira", negando já a existência de uma linha de crédito destacada ou a diminuição dos juros a quem aderir a este programa.

Sem concretizar as medidas "facilitadoras do projecto", afirmando que serão definidas pelas instituições bancárias, Fernando Faria de Oliveira mostrou-se optimista na concretização do Reabilita Primeiro, Paga Depois.

"Penso que o programa tem todas as condições para ter sucesso", afirmou.

Até ao final do ano, a autarquia espera lançar em hasta pública mais 20 edifícios devolutos no âmbito deste programa e está a estudar a possibilidade de vender um total de 200 espaços devolutos.

O vice-presidente da câmara, Manuel Salgado, disse que seriam necessários cerca de 50 milhões de euros para a sua reabilitação, valor de que a autarquia não dispõe.

Segundo dados citados por Manuel Salgado, nos últimos cinco anos foram intervencionados 8.500 edifícios em Lisboa, entre obras de conservação e reabilitação, e foram reabilitados 8.200 fogos, que totalizam uma área de um milhão de metros quadrados, num investimento de cerca de 600 milhões de euros.

Já Helena Roseta indicou que caso os programas integrados no pacote de valorização de património municipal, entre eles o Reabilita Primeiro, Paga Depois, sejam concretizados na totalidade a autarquia pode "ter todos os anos um fluxo de caixa anual que pode chegar aos 20 milhões de euros e, daqui a dez anos, um valor atualizado líquido de 160 milhões de euros".

Caixa Geral de Depósitos, Banco Comercial Português, Banco Espírito Santo, BPI, Banif, Banco Privado Português, Montepio, Santander e Caixa Agrícola assinaram a carta de intenções.

Fonte: http://rehabitarlisboa.cm-lisboa.pt

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